Medicina de Risco?

“O Brasil não vai exigir exame nacional de revalidação do diploma de médicos trazidos da exterior para trabalho temporário em áreas com déficit de profissionais da saúde no país. Em contrapartida, esses estrangeiros só poderão atuar nas áreas determinadas pelo governo em periferias e no interior e por período que não deve passar de três anos.”

A informação acima foi divulgada pela imprensa no início da semana como salvadora da pátria de um país carente que vive fazendo malabarismos econômicos para ajudar na campanha eleitoreira do governo. Mais importante que números maquiados pelos economistas do Planalto, colocando em evidência, diariamente, seus feitos e desfeitos, são aqueles que não aparecem – escondidos que são da população – sobre a saúde principalmente.

O doente Brasil, com carência de médicos, hospitais, equipamentos e medicamentos, enfermeiras de alto padrão que não cometam barbaridades em pacientes indefesos, para se dizer o mínimo, esbanja recursos para construção de suntuosos estádios de futebol que virão beneficiar investidores privados agraciados com financiamentos públicos. Se a imprensa brasileira fosse menos comprometida com as verbas palacianas de propaganda você, eu e o resto desse país ainda adormecido em berço esplêndido estaríamos conhecendo uma realidade aprisionada nos intestinos de poucos ministérios.

É notório que o país não possui médicos que possam atender as populações mais necessitadas, distantes dos centros maiores, mas sempre lembradas que são como fornecedoras de votos para cabrestos eleitoreiros. Nossa medicina não possui, aos olhos do governo, quantidade; nem qualidade aos olhos da população. Não é de se estranhar, pois, que 61% de médicos submetidos a exames pelo Conselho Regional de Medicina de SP, recentemente, tenham sido reprovados…  São Paulo! É possível que você desconheça esta realidade, mas não seria surpresa que já tenha sentido na carne, no corpo ou em sua própria mente o despreparo de quem perjurou ao se formar.

E agora, com esfarrapadas justificativas, o governo vai permitir a entrada de médicos formados no exterior sem qualquer exame de validação do diploma. Inominável! Eu, simples engenheiro de petróleo diplomado nos Estados Unidos, ao regressar tive que ter o dito revalidado pelo Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia. Porque não os esculápios do além-mar? E note-se que os riscos de causar danos às pessoas e patrimônios por eventual incompetência minha, então, eram infinitamente menores que os possíveis causados pelos jurados de Hipócrates em qualquer tempo e lugar.

Que São Lucas (patrono dos médicos) nos proteja. Amém!

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Um olhar atento, por favor!

Existem circunstâncias inexplicáveis na vida de todos nós. Procuramos motivos e razões que justifiquem certos acontecimentos através da ciência, da religião e até mesmo do sobrenatural, por aqueles identificados com o fenômeno.

Um jovem americano, aos dois anos de idade, foi diagnosticado com autismo e prognóstico sombrio para sua qualidade de vida. Colocado em um programa especial de aprendizagem, aos quatro anos, fez terapia para tentar desenvolver suas habilidades e voltar a falar. Mas, depois de um inusitado caminho percorrido, aos 14 anos, Jacob Barnett – este o seu nome – estuda para obter o mestrado em Física Quântica. Aos nove anos, começou a desenvolver trabalhos sobre astrofísica que despertaram a atenção de acadêmicos na Universidade de Princeton, Estados Unidos, trabalhos considerados potenciais ganhadores de um prêmio Nobel futuramente. E mais: aos 11 anos entrou para a universidade, onde faz pesquisas avançadas em física quântica. Alguns especialistas consideram seu QI superior ao de Albert Einstein. Por favor, releia a primeira frase deste parágrafo.

Pessoas que nascem com dons incomuns à luz do conhecimento contemporâneo desafiam aqueles ainda enjaulados em conceitos preconceituosos, presos a preceitos irrefutáveis. Desde que me entendo por gente questiono a forma como somos educados para enfrentar a vida em voo solo. Nossos filhos são educados – salvo honrosas exceções – dentro de um modelo engessado onde raramente lhes é permitido desenvolver habilidades naturais inatas. O comércio do ensino e o comodismo de muitos pais – a quem peço perdão pela ousadia – levam crianças e adolescentes, muitos, a trilhar a estrada de mão única que pressupõe encaminhá-las para uma vida pessoal e profissional de realização intrínseca.

Deixar aflorar um talento inerente a cada indivíduo, independente de sua condição, é tarefa de desprendimento para pais principalmente e educadores em particular. Não se forma um cidadão sem que nele se observe e identifique, desde cedo, seu potencial através do olhar individual e não do coletivo. Prestigiar o talento natural da criança ou jovem – sem qualquer discriminação – permitirá integrá-lo à sociedade como pessoa de bem e como profissional capacitado no disputado mercado de trabalho.

O olhar atento e persistente da mãe de Jacob evitou sua capitulação às “evidências” de padrões preconcebidos ao perceber que atrás de um véu suspeitoso estava presente um ser humano dotado de inteligência superior à nossa, que se revela mediana, quando muito.

A ponderar!

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Mãe Nossa de Todo Dia

Segundo nos revela a história, a data a ser celebrada no próximo domingo “surgiu em virtude do sofrimento de uma americana que, após perder a mãe, passou por um processo depressivo. As amigas mais próximas de Anna M. Jarvis, para livrá-la de tal sofrimento, fizeram uma homenagem para sua mãe, que havia trabalhado na guerra civil do país, os Estados Unidos da América. A festa fez tanto sucesso que, em 1914, o presidente Thomas Woodrow Wilson oficializou a data e a comemoração se difundiu pelo mundo afora”.

No Brasil, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou, também, o segundo domingo de maio como aquele para prestar homenagens às mães. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou, igualmente, que essa data fizesse parte do calendário oficial da Igreja Católica.

Com o passar do tempo, a história ficou para trás. Passou a ser uma data importante para o comércio que a explora através de campanhas publicitárias intensas não permitindo que alguém fique de fora.

Uma das mais belas frases que já tive oportunidade de ler sobre mãe, que nada tem a ver com Dia em questão, é esta escrita por Rajneesh: “No momento em que uma criança nasce a mãe também nasce. Ela nunca existiu antes. A mulher existia, mas a mãe, nunca. Uma mãe é algo absolutamente novo”.

Este pensamento, profundo a meu ver, revela cristalinamente a primordial diferença entre um pai e uma mãe. As mães permanecem à frente do dos pais, durante toda a vida de seus filhos, a começar por ser a primeira a tomar conhecimento da concepção. Além de dar-lhes vida, cedendo-lhes parte da sua por nove meses, surgem como as fadas dos contos, extrapolando seu papel de serem simplesmente mulheres. Nós homens – e mesmo pais, muitos – não temos a menor noção do que significa gestar no sentido lato do termo. Somos a centelha que inicia um processo mágico de transformação, mas não mais que coadjuvantes, espectadores apaixonados, orgulhosos como espécie.

Não há como presentear nossas mães biológicas e aquelas de nossos filhos, sem nos lembrarmos daquelas que não o são. Estas merecem estar, também, no topo do pódio. Tanto umas como outras, estou certo, anseiam, mais que lembranças compradas em lojas, por lembranças diárias vindas do coração, por palavras, gestos, afagos e até mesmo simples olhares.

Aquela que lhe permitiu estar aqui e agora pode estar presente apenas na saudade. Aproveite o domingo e todo o tempo que lhes resta, durante o ano todo, para lembrar que você simplesmente respira porque alguém, algum dia, lhe concedeu o privilégio de viver.

Não há dinheiro que compre o incomprável.

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Rei Posto, Salve a Rainha!

E a Holanda esteve em festa pela abdicação da rainha Beatrix ao trono dos Países Baixos, na terça feira desta semana, dando lugar ao seu filho, o príncipe – agora rei – Willem Alexander.

A monarquia veio sendo substituída por repúblicas desde o final do século XIX, princípio do século XX, por várias razões que não cabem ser abordadas aqui. Poucas são as sobreviventes, principalmente na Europa: Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Reino Unido, Bélgica, Mônaco, Espanha, Luxemburgo.

Encontra resistência de muitos setores, mas não são poucos os adeptos fervorosos dessa forma de governo. No caso da Holanda, por exemplo, 78% dos holandeses apoiam o regime. Mundo afora se questiona o padrão de vida dos monarcas, os tributos pagos pelos súditos para atender às despesas oficiais – arcadas por fundos públicos -, a pompa e circunstância eventuais. Na verdade, não existe regime que seja integralmente aprovado pela população que sob ele vive, ou sobrevive como em certos países do oriente médio. A monarquia tem seu charme, haja vista o casamento no ano passado do Príncipe William com a plebeia Kate Middleton quando a cunhada, a gata (com todo o respeito) Pippa Middleton arrasou…

Holambra, originalmente núcleo agrícola fundado por imigrantes holandeses a partir de 1948 – depois do sofrimento de ver seu país invadido durante a segunda guerra mundial – foi emancipada apenas em 1992. E para os que desconhecem a origem do nome HOLAMBRA: HOLanda, AMérica, BRAsil. Criativo (o nome), foi mais um tributo à terra que os recebera de braços abertos e assim batizada de forma singela, mas marcante.

O Dia da Rainha (holandes: Koninginnedag) – 30 de abril – é um feriado nacional nos Países Baixos, nas Antilhas Holandesas e Aruba, sempre celebrado em grande estilo. Na Holambra, como não poderia deixar de ser, a data festiva foi comemorada no domingo passado, dia 27, com entusiasmo e grande apoio popular. A prefeitura, mencione-se em destaque, está de parabéns pela organização do evento realizado com absoluto sucesso. A rainha Beatrix certamente agradeceria.

E para encerrar, o Rei Willem-Alexander tem como esposa a argentina Máxima Zorreguieta que, sem qualquer trocadilho, é bela, culta e inteligente. Para gáudio de “los hermanos”, que não contentes em ter um papa abocanham, agora, a posição de esposa do rei dos Países Baixos (tecnicamente impreciso chamado de Holanda): a Rainha Máxima.

Não é o máximo, “hermanos”?

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De olhos vendados

Segundo consta, não existem recursos financeiros para enfrentar a calamidade em que se encontra o sistema publico de saúde deste país. São estarrecedoras as imagens a que assistimos pela televisão, quando esta se dispõe a exibi-las desde que não comprometa seu faturamento com a propaganda governamental.

A publicidade dada a eventos patrocinados e de interesse do governo merece grande destaque obviamente, mas aquelas de interesse público maior nem sempre o são.

O deplorável quadro de saúde no país, onde se plantando tudo dá, permanece assustador. Triste exemplo são as informações divulgadas pela imprensa revelando que hospitais particulares de referência em São Paulo, São Paulo atente, exigem horas de espera para atender crianças, muitas em situação crítica. E pior: segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (informação jornalística), “os hospitais estão fechando leitos de pediatria porque atender criança não dá lucro”. Além disso, segundo um diretor-superintendente de hospital especializado em pediatria, crianças geralmente precisam de poucos exames. “Dá mais lucro tratar de câncer.” Meu Deus!

Caso precise de internação então, a criança pode demorar até três dias para obter uma vaga, relatou um funcionário da unidade Morumbi do hospital São Luiz, em SP. E a pedra de cal: dados do Ministério da Saúde mostram que os leitos pediátricos privados foram reduzidos em 14% entre 2011 e 2013.

Existem verbas federais, sim, e de parcerias com entidades privadas, mas para investir na construção de estádios de futebol para a Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíadas. Bilhões de reais, não poucos oriundos de nossos bolsos. Com dotações estouradas – 65% a mais que o previsto em 2010 -, alguns empreendimentos já foram cancelados e o dinheiro gasto devido ao “descontrole” orçamentário. Os estádios que vierem a ficar prontos renderão, futuramente, milhões àqueles que têm o direito de administrá-los. Eis que as arenas, como são agora chamadas, poderão vir a ser de multiuso para realização de shows, eventos e espetáculos, com pouco futebol.

Construção de hospitais, postos de saúde, aquisição de equipamentos hospitalares para tornar o sofrimento de milhões de brasileiros, com ou sem bolsas, não são, então, prioritários?

Afinal, que país é esse? O que acontece com os terráqueos deste mundo conturbado? Será que a insensibilidade tomou conta de mentes poluídas por toda sorte de contaminantes levando-as à insensatez absoluta? Custa a crer que esses seres foram, um dia, crianças. Como puderam ser deformados na sua essência para se transformarem em verdadeiros monstros que reluzem apenas sob interesses pessoais abjetos?

A palavra é sua!!!

 

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Mesmice de uma nota só

A rotina faz parte de nossas vidas desde o acordar até a hora de colocar a cabeça de volta no travesseiro à noite. Imersos em obrigações de toda ordem, encontramos dificuldade em alterar a rotina do dia a dia por razões várias. Correndo sempre contra o relógio, despendendo energia para enfrentar o trânsito intransitável, suportando o pouco respeito dos outros que costumeiramente se atrasam para compromissos assumidos – alô alô, meus amigos médicos: perdoem-me, mas já está na hora de acertarmos os ponteiros… -, acabamos presos aos caprichos do vaivém diário. Arre!

Não nascemos para viver como máquinas programadas para obedecer a rotinas rígidas. Aferrados a condutas arraigadas que engessam, rotinas pouco maleáveis embaçam a oportunidade de descobrirmos o novo. Descobertas que, sem qualquer prejuízo para atingirmos os fins a que nos propomos, permitem um olhar diferente e prazeroso de tudo que nos cerca. A velha e conhecida história do olhar sem enxergar…

É impossível vivermos sem rotinas. Entretanto, a exemplo das composições musicais, quando arranjos são criados para torná-las mais atraentes e agradáveis aos ouvidos, alternativas para compormos a programação do nosso cotidiano são, também, viáveis e principalmente desejáveis.

Começando pela vida em casa, a maioria das pessoas segue uma rotina rotineira (perdoe-me pelo pleonasmo), desde a forma de escovar os dentes, se vestir, sentar-se à mesa sempre no mesmo lugar, assistir aos mesmos programas de televisão diariamente, se acomodar na poltrona que já se tornou cativa. Daí para a cama sua rotina é a mesma faz anos, admita. Ou seja, a rotina dentro de casa do acordar ao deitar sofre pouca ou nenhuma variação dia após dia. Fora dela (da casa), o roteiro para o trabalho é, invariavelmente, o mesmo e fora dele para almoçar com ou sem happy hour mais tarde também. E assim, no meio da semana, as pessoas esperam ansiosas pelo seu fim para continuar a fazer as mesmas coisas, apenas com ajustes aqui e ali como nas peças musicais. Haja!!!

Estou simplificando, eis que o assunto daria para escrever um livro. Mas minha curiosidade é saber até onde as pessoas se disporiam a, por exemplo, usarem um transporte alternativo para ir trabalhar, não acessar a internet e a televisão duas vezes por semana aproveitando a oportunidade para conversar com o marido, a mulher, namorado ou filhos, trocar de lugar à mesa, até mesmo trocar de lugar na cama (entenda-me!).

A mesmice do dia a dia, impregnada por hábitos enraizados, torna a vida de muitos uma monotonia só. Espero que a sua seja diferente. Olé!

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Palavras, palavras…

O homem não nasce falando. Aprende a falar e a escrever uma ou mais línguas para se comunicar, entender e se fazer entender, transmitir um pensamento. Segundo o cientista Russel Gray, da Universidade de Auckland, Nova Zelândia: “A diversidade das línguas do mundo é incrível. Há cerca de sete mil línguas faladas hoje em dia, algumas com apenas uma dúzia de sons contrastivos, outros com mais de cem, alguns com padrões complexos de formação de palavras, outros apenas com simples palavras, alguns com o verbo no início da frase, outros no meio e no final”.

Uma verdadeira babel!

São poucas as pessoas que conseguem transmitir com exatidão o pensamento falado ou escrito de uma língua para outra. Até mesmo na própria língua-mãe. A interpretação de textos, sejam eles antigos ou modernos, é fundamental para a formação de ideias, juízos e conceitos, sabemos todos. Daí as distorções encontradas em traduções e versões que geram polêmicas quando defrontados uns perante outros, buscando entender o verdadeiro sentido do significado de palavras proferidas ou escritas.

Este pequeno introito serve para nos lembrar das dificuldades enfrentadas na comunicação entre pessoas e povos. Fôssemos todos mudos o número de desentendimentos entre os que se manifestam pela palavra falada seria possivelmente menor. Não é menos verdade que a escrita (palavra) pode, também, causar danos às vezes irreversíveis.

Falar é tão simples quanto respirar, tão natural, que dificilmente nos damos conta das agressões verbais cometidas, ainda que inconscientemente. Magoamos pessoas, deixamos nelas marcas indeléveis, não raro com boas intenções. Sem qualquer esforço, proferimos palavras antes mesmo que o pensamento esteja pronto para liberá-las; a famosa frase “falei sem pensar” é testemunha de dissabores causados pela afoiteza. Dissabores que podem não ter volta. A sabedoria chinesa nos ensina através de um provérbio que “Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”.

A contrapartida são frases ouvidas ao longo da vida que ecoam dentro de nós por todo o sempre. Lembram épocas, momentos inesquecíveis, muitas vezes totalmente ignorados por quem as pronunciou. Somos extremamente sensíveis ao que ouvimos, talvez até mais do que ao que vemos.

Não trago nenhuma novidade nestas ponderações, mas quero crer que o simples fato de pensar sobre o assunto durante o tempo dessa leitura pode vir a, quem sabe, ajudá-lo no futuro.

Dependendo de sua idade, esse papo não é furado…

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Interação

Surpreendo-me ao constatar que leitores de minhas crônicas estão espalhados pelo mundo. Sendo publicadas em jornal, na página do facebook e neste site, a surpresa não é pequena. A constatação, feita através do “alcance” fornecido pelas informações geradas na página do face, inclui cidades de países da Europa, Ásia e Estados Unidos. Curiosamente, nunca tive conhecimento de leitores da América Latina, exceto Brasil, claro.

Ao escrever, transmitimos ideias, posicionamentos, visão de acontecimentos. São colocações com ótica pessoal nem sempre compartilhadas por todos que as leem. Mas, como dizia um antigo mestre do jornalismo e dramaturgo – Nelson Rodrigues – toda unanimidade é burra. Assim seja!

Lemos para aprender, por diversão, buscar informação, nos tornarmos atualizados sobre o que ocorre em nosso corrido e conturbado mundo. Ler e escrever podem parecer atos solitários. Não vejo assim. Mantendo as mentes conectadas, processando dados e informações uns e avaliando situações abstratas, reais ou fictícias outros, leitores e escritores se encontram em momentos de exclusiva privacidade.

Sem ser escritor, eis que sou apenas um articulista bem intencionado, busco no cotidiano da vida identificar situações que me permitam extravasar sentimentos relacionados às realidades encontradas no dia-a-dia. Não somos todos iguais, mas muitos são os que caminham na mesma direção ainda que não pela mesma estrada. E quando assim é, um momento de encontro ocorre ensejando o instante mágico da simbiose entre leitor e autor.

Como não acredito em verdades absolutas, já que estas assim permanecem até que alguém ou algo, intencional ou inadvertidamente, comprove o contrário, procuro me ater a situações que exponham minha visão dos fatos e a problemática exposição de sentimentos próprios relativos a eles. Parece simples e óbvio, mas esteja certo que assim não é. Seriedade de propósitos descortinando posicionamentos publicamente não é tarefa que permita ao “escriba” sério agir como camaleão.

Assim, ficaria feliz em poder interagir mais com você que agora me lê e me conhece, talvez, um pouco mais. Até porque, saiba que fiquei surpreso ao constatar também que, segundo a última avaliação do facebook, a maioria de meus leitores entre 17 e 65 anos ou mais é do sexo feminino: 63%.  E tem sido quase sempre assim: elas em maioria. Desconheço as razões, mas o fato me deixa realmente intrigado…

Ficarei grato se vier a receber sua manifestação a respeito, bem como sugestão de temas de seu interesse a serem futuramente ponderados.

Fraternal abraço.

e-mail: ponderando@jcholambra.com.br

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Razão de Viver

O mundo está em crise. Ora, o mundo sempre esteve em crise, mas ainda nos surpreendemos a cada novo acontecimento catastrófico. Crises políticas, econômicas, sociais, regionais ou internacionais sempre fizeram parte do cotidiano dos povos em qualquer lugar do planeta.

Enquanto bípedes dotados de inteligência – às vezes não muita, é verdade – existirem nesta Terra que dizem ser azul, conflitos de toda ordem serão notícia diariamente. Aliás, nem sei por que esse corpo celeste sem luz própria que gira em torno do Sol chama-se Terra. Afinal, 71% de sua superfície são cobertas por água e apenas 29% são continentes e ilhas. Não deixa de ser curioso.

Geografia a parte, o entendimento entre humanos sempre foi difícil, complicado. Somos seres diferentes, com interesses distintos que apenas se aproximam quando a sinergia funciona em proveito próprio, ou seja, quando 1+1=3. E mesmo assim por tempo determinado até que se exaurem as razões da convivência harmoniosa.

Somos egoístas por natureza ou, quem sabe, fomos aprendendo e induzidos a sê-lo ao longo da jornada. Ao nascer somos motivo de alegria àqueles que nos cercam. Não há quem resista ao sorriso de uma criança, volte a ser um pouco criança, dispa-se – ainda que por momentos – da couraça que nos faz parecer o que não somos. Em que momento passamos a ser entortados, destituídos de nossa natureza inocente, focados com lentes distorcidas? Tema a ponderar!

Crescemos guiados pelas mãos daqueles já deformados, assimilando até de forma obrigatória conceitos e valores impostos, buscando aceitação em uma sociedade que se comporta de acordo com sua geografia. Sim, porque os conceitos de liberdade, educação, moral, princípios, ética não são unos. Vivemos em um mesmo solo, separados por terras e mares desde tempos imemoriais que nos tornaram estranhos uns aos outros, suspeitosos e egocêntricos.

Como em um passe de mágica, o mundo poderia ser governado por crianças as quais, com sua candura, sem qualquer programação lógica, mas com espontaneidade no pensar e no agir, levariam a bom termo projetos para uma vida equilibrada, socialmente mais justa para todos. A socialização espontânea desses pequenos seres é surpreendente, mas apenas enquanto pequenos e antes de serem submetidos às regras que o mundo lhes impõe.

Mas quem sabe dentro de algumas centenas de anos, dezenas talvez, com a tecnologia aproximando culturas, tornando-as visíveis e mais compreensíveis possamos, assim como as crianças, encontrar o entendimento fácil – apesar das birras de uns e outros – tornando nossa existência uma verdadeira razão de viver.

Quem sabe?

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A todos os nossos amigos e amigas

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