Contradizendo a física

A sabedoria oriental nos coloca, sempre, diante de realidades reveladas através de metáforas. Reveladas apenas para aqueles que buscam a compreensão do não óbvio. Defronto-me com uma, produto da reflexão chinesa: “O homem que não sabe sorrir não deve abrir a loja“. A profundidade desse pensamento vai muito além do entendimento literal de meras palavras; o que nos leva a imergir em um universo complexo regido pela lógica cartesiana.

Os animais expressam seus sentimentos sem lágrimas nem sorrisos. Aqueles mais evoluídos o fazem pela emissão de sons e para bons leitores através de um simples olhar. O bicho homem se vale de mecanismos para ativar expressões faciais como o choro triste ou alegre, cenho cerrado ou olhos apertados, dentes a mostra que podem demonstrar ambigüidade.

Nossa comunicação com o meio exterior se produz por gestos, sons ou através do mais absoluto silêncio. Uivos e explosões de alegria fazem parte da alegoria de manifestação. Aliás, neste particular não diferimos muito dos animais, mestres que são na arte de transmitir sonoras mensagens ininteligíveis para os inteligentes humanos.

O estilo de vida cultuado pelas sociedades ocidentais, estimulado pelo consumo desenfreado que desencadeia o processo da perseguição ao mais com o menos, tem nos levado a sobreviver com medo de tudo e de todos, armados de desconfiança, desprovidos de segurança intima.

Os encontros e desencontros com o próximo guardam muito dessa relação entre o ter e o ser traçando uma linha divisória inconsistente. Inconsistente por carecer de coerência fazendo-nos servir a dois senhores conforme as circunstâncias. Circunstâncias que exigem enfrentamento de uma realidade presente em todos os momentos a exigir transparência de propósitos consistentes com a verdade de cada um.

Ações geram reações que atuam no mesmo sentido e contrariam, assim, princípio elementar da física. Agimos sempre na expectativa de obtermos resposta compatível com nossa determinação, qualquer que seja sua natureza. E ai reside a dificuldade maior para estabelecimento, manutenção ou ruptura da sintonia fina.

Vivemos em permanente exposição tentando deixar claros nossos posicionamentos, buscando aceitação, tentando conquistar espaços que por vezes não nos pertencem. Se nosso comércio de expectativas e exigências não se encontra em perfeita harmonia com aquele do mercado, é preciso reconsiderar.

Saber sorrir na hora certa pode fazer a diferença. Abra um sorriso!

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Virando a página

A crise econômica que assola boa parte da Europa e Estados Unidos desnuda a atuação de bancos – sempre eles – credores de cidadãos e governos; na hora da verdade, sacrificam o dia-a-dia de sociedades inteiras obrigando-as a pagar a conta da farra de quem, novamente, sempre pode mais.  E, curiosamente, sobram dólares, trilhões deles, derramados em países bem comportados economicamente, buscando auferir lucros indecentes para seus investidores.

Percebo movimentos em diversos segmentos que trabalham para mudar o perfil do nosso viver contemporâneo gerando expectativas de melhores e mais justas mudanças. Assim, nossa aldeia global – mais consciente de seus direitos e deveres, direito à liberdade de ir e vir e se expressar, deveres para com o próximo, próximo ou distante – me leva a acreditar em revisões abrangentes e profundas no seio de todas as sociedades do planeta.

O resultado das eleições presidenciais na França, por exemplo, pode vir a relativizar as medidas de austeridade fiscal sendo impostas a países em crise como a Grécia e Espanha, para citar apenas dois dos mais comprometidos. O presidente eleito pelos franceses, François Hollande, promete incentivar medidas de afrouxamento e não arrocho como caminho para recuperação das economias em crise. Seu discurso, no entanto, é visto com preocupação pelos demais membros da Comunidade do Euro. Mas o peso da França não é pequeno. Nem tanto por se tratar do maior país da União Européia em área, mas por se tratar de uma grande potência.

Cabe lembrar que, com forte influência econômica, cultural, militar e política a nível europeu e global, o país é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O problema, velho de guerra, consiste em saber quem, mais uma vez, pagará a conta  –  haja vista a complexidade dos interesses em jogo. De qualquer forma, Hollande só sentará em sua cadeira no Palácio do Eliseu a partir de 15 deste mês e as regras aprovadas para resolver o “imbróglio” europeu valerão a partir do inicio do próximo ano. É aguardar para conferir.

Por aqui, agimos na contramão das estratégias européias. As recentes e profundas mudanças introduzidas pelo governo estão forçando a baixa dos escorchantes juros cobrados pelo sistema gerador dos lucros mais torpes do planeta. Por tabela, introduziu modificações na sistemática da caderneta de poupança, o que nos permite sonhar agora com um país mais justo a desestimular que capitais especulativos continuem a se locupletar minando a solidez de nossa economia.

É possível até, quem sabe, que venhamos a servir de exemplo para boa parte do mundo. Oxalá!

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Além do horizonte

Quero crer que todos nós, sem exceção, passamos a vida almejando. É certo que os anseios vão se modificando com o passar do tempo, tanto na forma como no conteúdo. O corpo altera suas linhas através da passagem dos anos. Desejos, vontades, objetivos acompanham, também, a linha do tempo. Vão perdendo validade – tenham sido eles alcançados ou não – e substituídos por outros, muitas vezes mais realistas.

Reconhecer limitações, sem ilusões, sejam elas culturais, de personalidade, temperamento, conhecimento, presença ou ausência de talento inato, não é tarefa simples para a maioria dos mortais. Querer crescer, subir degraus em todas as escalas, materiais ou espirituais, é saudável e vinculado aos nossos sonhos. Sonhar nos mantém vivos e atuantes contribuindo para uma vida com qualidade física e mental.

Encontrar o caminho ao longo da estrada de tantas bifurcações e cruzamentos, sem sinalização ostensiva, é um dos grandes desafios a serem enfrentados enquanto permanecemos por aqui. Como somos seres altamente influenciáveis por apelos externos, os encontros com nossos anseios mais profundos ficam, ou podem ficar, vulneráveis.

Certamente com exceções, os modismos, sempre presentes em qualquer época, direcionam o comportamento e objetivos a serem atingidos por muitos. Os apelos plurais não raro colidem com aqueles individuais, de foro intimo, enfraquecendo a capacidade de fazermos opções com imparcialidade.

O fato de desfrutarmos de livre arbítrio e, ousaria afirmar, intuição sempre presente, nos coloca em cima do fio da navalha existencial. Como criaturas racionais dotadas de lógica – estimulada pelo modo como somos criados e educados – assistimos o norte de nossas vidas sofrer interferências que ofuscam qualquer capacidade sensorial.

O constante questionamento e a falta de compreensão sobre respostas que não foram perguntadas colocam em cheque rumos perseguidos e não atingidos. O porque nem sempre merece o por que! Dogmas procuram se apresentar como luzes esclarecedoras, filosofias tentam explicar o que a razão tenta racionalizar, a percepção intuitiva resiste ao nexo que embasa a visão pseudo-realista da vida.

Para os que navegam em mar aberto, sem terra a vista ou instrumento de orientação, resta aguardar por aves marinhas não procelárias a resgatar a esperança de que a vida não termina ali. Surgindo do nada, de repente e sem explicação plausível, trazem alento, ampliam horizontes.

Ave, benditas aves!

“Vivemos todos sob o mesmo céu, mas ninguém tem o mesmo horizonte” (Konrad Adenauer)

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O Rei está Nu

Estamos em época de mais uma CPI dentro do bojo do congresso nacional. Esperemos que não seja mais um Conluio Pró Impunidade, mas  sim, de fato, como esperam todos – desde a opinião pública até a imprensa – um processo isento com averiguações, acareações, punições para os transgressores.

O mundo está cansado de autoritarismo e corrupção, populações clamam por liberdade física e de expressão, ortodoxos enfrentam revisão de costumes anacrônicos que se mantiveram ao longo dos séculos pela perpetuação da ignorância. Hoje não mais, com a internet expondo as entranhas da liberdade, de como o mundo se comporta em todas as latitudes e as mídias sociais escancarando realidades até a pouco desconhecidas.

Está se tornando cada vez mais difícil tapar o sol com a peneira, jogar o lixo para debaixo do tapete, vender gato por lebre. A socialização da cultura, do conhecimento, das comunicações, coloca governantes de todos os hemisférios em guarda, pois os biombos da hipocrisia não mais os protegem. O escambo de favores, prestígio, interesses, começa a resvalar na consciência dos corajosos escorados nos pilares da informação colocada ao alcance de todos sem exceção.

Agora o Rei está nu!

Quero crer que a humanidade não se encontre diante de dilemas, mas sim de soluções que se apresentam como a salvaguarda de sua sobrevivência também como espécie. A falta de opção é uma opção. As circunstâncias adversas que estamos enfrentando, sejam elas de natureza econômica, política, comportamental e até de integridade, demandam reformas no pensamento e na ação.

Não existe parto sem dor, crédito sem débito, alvorada sem ocaso. O momento vivido por nosso país, com economia comportada, mas ainda na puberdade, politicamente desnudando os véus da corrupção acobertada por aqueles que a nós deveriam proteger, ainda carente de educação e saúde compatível com sua grandeza, merece um voto de confiança. O velho mundo exaurido por fórmulas de desenvolvimento ultrapassadas, dependente de países ricos como o nosso que ainda  debuta na esfera das ciências e tecnologias sofisticadas, está a reconhecer a importância de quem pode mais.

Estamos traçando um caminho sem volta, irreversível, em direção ao pódio do desenvolvimento sustentado. Nosso farol, a mostrar as rotas para os demais, com nossa riqueza material abaixo e acima do solo, reverte uma posição de submissão insustentável.

Diante de quadro tão promissor – já admirado por tantos – não podemos em momento critico a ser enfrentado no congresso nacional, deixarmos de lembrar que o Rei está, de fato, nu.

“De erro em erro, vai-se descobrindo toda a verdade” (Sigmund Freud)

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Passado, sempre presente

Minhas crônicas, publicadas na página Ponderando do facebook são lidas mais por leitoras que por leitores. As informações são fornecidas por estatísticas daquela mídia. Difícil explicar as razões, eis que os assuntos abordados variam desde aqueles fazendo alusão à política, economia, cotidiano, até filosofia de vida. Mas não deixa de ser curioso, eis que o mesmo ocorre, também, com visitantes ao meu site.

Já no caso do JC Holambra, não há como aferir. Gratuitamente, tenho a impressão de que aqui o inverso se dá. São comentários esparsos, e-mails recebidos, que me credenciam a acreditar nesta versão.

Citei o facebook por se tratar de uma mídia com mais de 845 milhões de usuários no mundo todo e por ser uma ferramenta que vem alterando costumes de toda a ordem. Realmente uma tacada tecnológica brilhante. Uma autêntica máquina de fazer contatos. Apesar de tudo, confesso não ser um fervoroso adepto do veiculo, pouco contribuindo com minha presença; exceção feita à página.

Surpreende-me a facilidade com que significativo número de pessoas se expõem abrindo aspectos de sua vida pessoal diária, sem qualquer preocupação. Não é muito difícil, para os mais atentos, identificar com o passar do tempo o perfil dos usuários mais presentes. São vieses que se abrem sobre a personalidade, temperamento, preferências, anseios. Mas, inegavelmente, a mídia veio transformar o modo de as pessoas se relacionarem; uns mais comedidos outros extremamente reservados, mas contando com uma maioria liberta de maiores preocupações. Verdadeira revolução cultural.

A tecnologia, cada vez mais sofisticada – visando seu uso nas comunicações – e desenvolvida principalmente pelas gerações mais jovens, criativas, dotadas de DNA cientifico é, de certo modo, assustadora. Chegamos ao ponto irreversível, penso eu, de termos perdido nossa privacidade e até mesmo, por que não, segurança.

A miniaturização e compactação de equipamentos eletrônicos com múltiplas funções nos deixa senhores absolutos das informações on-line a qualquer tempo, em qualquer lugar. Como tudo na vida, com vantagens e desvantagens.

As primeiras dispensam comentários. As segundas passam pela implantação do distanciamento pessoal, da ausência de “curtição” pela espera dos acontecimentos, das oportunidades perdidas de permanecermos a sós conosco mesmos. Mas já posso antecipar que concordo com aqueles que de mim discordam. A diferença reside, apenas, no fato de ter vivido e estar vivendo o antes e o depois da revolução. E aí mora minha vantagem sobre os discordantes, pois posso optar por uma ou outra “versão” a qualquer momento.

Senhora vantagem!

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Brasil, florão da América

O país encontra-se diante de uma oportunidade, única talvez, para corrigir as enormes distorções em sua carente infraestrutura viária, aérea e logística. Os próximos eventos – Copa do Mundo e Olimpíadas – estão a movimentar bilhões de reais de recursos que poderão nos colocar em patamar que faça jus ao título de sexta potência econômica mundial.

Vejo com otimismo o esforço do governo federal – apesar das pedrinhas colocadas em seu sapato por um Congresso pequeno – de tentar oferecer a cerca de 190 milhões de brasileiros uma vida mais digna. Mas vejo com preocupação, também, que modestas verbas alocadas para educação e saúde, esbarram no discurso do Planalto, quando empregos são gerados e a mão de obra qualificada não atende à demanda.  Incoerência.

Com a longevidade humana atingindo patamares inéditos, a preservação da saúde da população passa a ser tópico para ação e não mais reação. Principalmente por aqui, onde mais geladeiras, fogões  e automóveis colocados no mercado com isenções tributárias não substituem a falta de leitos em hospitais públicos, atendimento médico precário e 55.5% de municípios brasileiros desatendidos pelo serviço de saneamento básico.

Estimula-se a gastança e não a poupança. Argumenta-se que o modelo ideal – questionável – de se conceder mais crédito às pessoas que não tem como pagar por mais bens duráveis no momento estimula o crescimento industrial, a geração de empregos, seu status de vida. Meia verdade. Foi exatamente assim que os nossos irmãos do continente norte-americano derrubaram a economia mundial poucos anos atrás. Ainda cambaleante, o sistema não consegue se reerguer. E a diferença crucial é que sua moeda é impressa em casa e o quanto quiserem, deixando a conta para ser paga pelo mundo. Não por acaso sua divida pública é superior a 14 trilhões de dólares.

A crise econômica que assola boa parte do planeta não permite arroubos de posse indiscriminada por lá. Mas para os países com desenvolvimento econômico saudável, todos medidos por PIBs e outros índices, sem levar em conta a necessidade real e qualidade de vida de suas populações, a porteira está aberta. É o nosso caso.

Não há como colher sem plantar. Mas preparar o solo para a colheita exige tempo, conhecimento e investimento. Dispomos de todos, mais que ninguém. Questão apenas de ordem.

Tamanho, no caso do Brasil, é documento. Bem nutrido e saudável, pronto para ser educado, se mostrará rapidamente como um continente, mais que um país. E que país!

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Noite dos Talentos

Ter ou não ter, eis a questão. Independe de nossa vontade, nasce com a gente, DNA marcado para o resto da vida. Talentos nos chegam por obra divina, sem qualquer explicação, como missões a cumprir durante a estada por aqui. Responsabilidade sem tamanho, impactando a vida das pessoas sem rosto, desconhecidas, mudando rumos, até mesmo  a ciência.

Na literatura, no esporte, na música, nas artes, eles e elas surgem, cumprem seu papel e se vão. Deixam registros indeléveis, alegrando e salvando vidas, contribuindo para que tenhamos uma vida melhor.

Privilegiados, predestinados, os dotados por natureza, os talentosos, nos fazem viver cada dia quebrando rotinas, apresentando o novo, armazenando o velho, registrando épocas.

Assim como os diamantes, pedras preciosas de grande brilho, apreciados por sua raridade e beleza, os dotados de DNA diferenciado são expostos ao mundo, mas não antes de passarem pelo burilamento essencial que a cada um dará o seu quilate.

Nossa Holambra, sempre vivenciando tantas artes e Artes brindou sua população gratuitamente, na semana passada, com um acontecimento cultural e social de  elevado quilate: a Noite dos Talentos.

Aberto a participantes amadores de todas as origens e presença de público heterogêneo, com crianças a octogenários lotando o recinto, o encontro festivo transformou-se em espetáculo de primeira grandeza.

Talentos escondidos, alguns se apresentando no palco pela primeira vez, presentearam o público com exibições as mais variadas: peça teatral, piano solo, locução divertida, monólogos, exibição de capoeira, canto a duas vozes, banda, acordeão solo, violão solo com musicas compostas pelo artista. Um autêntico “vaudeville”, ou seja, espetáculo composto de vários números como dança, acrobacias, encenação cômica entre tantas, que não apresentam relação entre si.

Sem qualquer pretensão de descobrir talentos ocultos, apenas proporcionar diversão de qualidade, a noite se transformou em uma agradável festa de confraternização e encerramento digno de uma Holambra alegre, descontraída, fraterna.

O espírito presente, mesclando culturas distintas, antigos e novos holambrenses, jovens e nem tanto, o sucesso nas apresentações gratificou aqueles que nos bastidores e com dedicação incomum tornaram o momento memorável.

O meu mais efusivo aplauso ao grupo “Expressão da Arte” de Holambra pela oportunidade de exibir à sua comunidade sem fronteiras o talento para descortinar mais um espetáculo de Arte.

E lembrando George Bernard Shaw: “Os espelhos são usados para ver o rosto; a Arte para ver a alma”.

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Caça-voto à vista

A maioria dos seres humanos tem mais vocação para criticar que para aplaudir. Faz parte da sua natureza. Eleitores não são exceção. No trabalho, nos bares, nas festas, em reunião com os amigos, se o assunto é como anda a nossa cidade, invariavelmente vem “chumbo grosso”.

A exemplo do que acontece com muitos pais que têm filhos na escola – e desconhecem como realmente funciona o seu intestino (da escola) e a educação de seus herdeiros – o cidadão ou cidadã comum pouco ou nada sabe sobre como são tomadas as decisões nos níveis executivo e legislativo de municípios ou estados.

O brasileiro, em geral, não é politizado. Não faz parte de sua cultura se envolver “com estas coisas” a não ser em épocas de eleição. Mesmo assim, de forma passiva, só ouvindo e assistindo a promessas.  Existem exceções? Sem dúvida.

Houve um tempo em nosso país, acredite se quiser, que os alunos do curso fundamental tinham como disciplina Educação Moral e Cívica. À época era um bom começo para a formação educacional do jovem. A matéria desapareceu dos currículos com o tempo e nós, com exceções, fomos nos tornando reativos e não proativos.

Em tempos de eleições o país se transforma, a demagogia impera e contrariando o ditado de que a primeira impressão é que fica o que fica mesmo na memória dos votantes é a última impressão. Para alegria dos candidatos eis que eleitores têm memória curta.

Feito mulher produzida que – após transfiguração de maquiagem bem feita – fica irreconhecível, candidatos a cargos em todos os níveis aprendem ou são orientados por hábeis marqueteiros profissionais a, sem qualquer pudor, se apresentarem como não são ou a mostrar serviço depois de tudo que não fizeram. Pouco afeitos a ideologias, quando eleitos, identificam-se mais com fisiologismos sem cor deixando para trás o juramento que fizeram durante a solenidade de posse.

A hora de colocar o voto na urna ainda está distante, mas muito próxima para aqueles que já estão trabalhando para ganhar o seu (voto).  Quase todos atuando em silêncio e outros cuidando da maquiagem para, até a hora H, fazerem a sua cabeça com promessas vãs e imagens distorcidas.

Em muitos países do primeiro mundo – Estados Unidos da América, inclusive – o cidadão, livre de obrigações que ferem sua cidadania – democraticamente, não é obrigado a votar.

Mas por aqui ainda não é assim. Portanto, mantenha-se bem informado, não dando ouvidos aos corneteiros de plantão. Esteja consciente de sua condição de cidadão e, soberanamente, cumpra com sua obrigação quando a hora chegar.

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Autoritarismo

O dicionário nos ensina que hierarquia é, por definição, “ordem, graduação existente numa corporação qualquer, estabelecendo relações de subordinação entre os seus membros e diferentes graus de poderes e responsabilidades”.

No meio jurídico pronunciam-se os juristas afirmando que “quem pode mais pode menos” ou, ainda, no âmbito militar, é voz corrente de “quem pode manda e quem tem juízo obedece”.

Estas colocações deixam impressas em seu bojo o sentido do “poder” enquanto domínio sobre. Aqueles que o detém, em qualquer grau, não raro sofrem da ilusão de possuírem força – ou autoridade beirando o autoritarismo – que os colocam acima dos demais mortais, qualquer que seja o âmbito de seu território.

Em reuniões de qualquer natureza, onde exista uma autoridade condutora de um processo de análise para discussão, com participantes que necessariamente não rezam pela mesma cartilha, podem ficar evidentes para os mais atentos e perspicazes manipulações impostas. Evidentes, ainda, quais os omissos descompromissados com causas, entrincheirados em seus casulos.

É próprio do ser humano querer ser o primeiro em tudo, ser considerado e avaliado como o melhor, respeitado e aclamado pela posição que ocupa vaidosamente, deixar inflar o seu ego com fatos e versões nem sempre autênticas. Os déspotas que o digam assim como os deuses com pés de barro.

A vida nos brinda com situações onde a impotência prevalece, no mínimo, ante a falta de respeito mútuo. Não são poucos os que se acham maiores escudados na segurança dos cargos que ocupam. Bater de frente com estes entes  pode resultar em contusão séria.

Mas desde que o mundo é mundo, dentro do repertório popular, a lei do mais forte prevalece. Prevalece até o momento em que valores, princípios, caráter, hombridade de uma massa crescente começam a falar mais alto sem receios, disposta a assumir algumas perdas para, ao final, contabilizar os ganhos em beneficio de toda uma coletividade.

Homens – e mulheres – sérios, que vivem de acordo com suas convicções, que não se deixam manipular, que não se vendem por duas moedas, fazem de nossa espécie a espécie diferenciada.

Vale a pena conviver com aqueles que se colocam acima da soberba de tantos que confundem autoridade com autoritarismo.

Não sou obrigado a vencer, mas tenho o dever de ser verdadeiro. Não sou obrigado a ter sucesso, mas tenho o dever de corresponder à luz que tenho.” (Abraham Lincoln)

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Valeu, Bob Marley*

Desde o inicio dos tempos não são poucas as pessoas comprometidas com causas e princípios. É verdade que a história de muitas delas terminou de forma trágica, na fogueira, no isolamento social, e até mesmo em execuções sumárias.

Nem por isso, até os dias de hoje, o ser humano abdicou de defender suas idéias, ideais ou crenças mesmo conhecendo os eventuais riscos envolvidos. Este lado luminoso de nossa espécie tem permitido que caminhemos em direção a uma evolução que transcende o material.

Certo e errado, correto e incorreto, possuem definições ditadas por culturas, costumes e hábitos distintos que não raro colidem com princípios e valores geograficamente distantes.

O que leva as pessoas a trilharem caminhos como este em suas vidas? Existem os que fazem dele a sua razão de viver enquanto outros se apresentam, “mostrando a cara”, na perseguição ao respeito pelas regras morais de comportamento ou de padrões sociais condizentes.

Tanto em um quanto em outro caso estamos falando de seres privilegiados, bem formados intelectual e espiritualmente, despidos de vaidades pessoais e ambições duvidosas que buscam levar, apenas, dignidade ao coletivo.

Os fariseus travestidos, aqueles que levam a vida recorrendo a artifícios questionáveis para se sustentarem e aparentarem o que de fato não são, permeiam nossa sociedade tal qual vírus contagiantes. E como reza a terceira lei de Newton, “a toda ação corresponde uma reação oposta e de igual intensidade”; e a sociedade sempre encontra em seu seio os conscientes de seu papel nesta existência que se dispõem a estar presentes em momentos críticos.

Na vida religiosa, na imprensa, na musica, até mesmo na política, encontramos vozes que ao longo da história se tornaram famosas, atuantes que foram na proteção dos menos favorecidos, dos oprimidos dos indefesos. Não é menos verdade, também, que outras tantas, anônimas em seus redutos, se levantam contra arbitrariedades cometidas se expondo e deixando falar mais alto o respeito que têm pela dignidade.

Questões de foro íntimo levam as pessoas a tomarem atitudes muitas vezes incompreendidas por não compactuarem com a comodidade, com a obviedade das circunstâncias, com o descaso pela seriedade. São as que se rebelam diante de situações culturalmente aceitas como permissivas, atuando como vozes solitárias apesar de ouvidas por tantos que se escondem por trás de suas fraquezas.

Atitudes, quaisquer que sejam, revelam o caráter e a personalidade. E como dizia Bob Marley: “São as atitudes e não as circunstâncias que determinam o valor de cada um. O que você diz, é apenas o que você diz.”

*Bob Marley: músico jamaicano, compositor, ativista, rei do “reggae”.

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